quinta-feira, 1 de maio de 2014

Autoconhecimento e Arquétipos da Umbanda

Por Filho de Fé de Marcel

O Umbandista tem um elemento muito poderoso a sua disposição na religião para desenvolver seu autoconhecimento que são os arquétipos.

Por uma questão de tempo terreno uma gira tende a ser muito rápida para que algumas coisas sejam desenvolvidas de forma mais profunda, é uma pena, mas é a vida humana, pela nossa própria organização econômica, familiar e social deixamos a espiritualidade com pouquíssimo tempo em nossas vidas.

Lutamos o tempo todo para driblar a questão tempo para uma dedicação espiritual. Geralmente saímos do trabalho, quando conseguimos, e vamos correndo para a gira pensando já em voltar para a casa para cuidar da família, dormir cedo para acordar cedo etc.

O ideal seria que a sociedade deixasse um tempo para a espiritualidade maior, um canal de autoconhecimento sem pressa, sem hora marcada, mas estamos um pouco longe dessa ideia pelas nossas próprias criações, mas um dia acredito que isso terá uma modificação.

Numa gira tem a abertura dos trabalhos depois dos devidas saudações e a incorporação dos orixás, cada casa faz da sua forma, mas geralmente costumam vir irradiadas duas energias ou mais numa mesma noite, no entanto elas vem e já devem ir muito rapidamente, ao passo que só é possível fazer nossas saudações, pedidos e deixar a energia delas atuar nos nossos corpos para algumas modificações.

O tempo é curto e não há tempo suficiente para você se acostumar com a energia e desenvolvê-la dentro de você ou ter uma interação mais profunda para diversos fins.

Bom, se na gira isso não será possível então cabe a você fazer isso em outro momento. O Marcel, meu pai, ensinou uma coisa muito importante no nosso curso de desenvolvimento que é se concentrar na energia de um Orixá não incorporar e deixar essa energia atuar em você e se possível desenvolvê-la dentro de você.

Essa é uma ferramenta muito poderosa, muito mesmo.

Conforme vamos passando nas nossas vidas, conforme cada fase temos uma associação natural com as energias pelas fases humanas, quando crianças a aproximação dos eres, quando adolescentes acredito que mais próximos dos exus e das pombagiras, e quando já adultos de ogum, iansã, xangô, obá, oxossi e quando mais idosos, nanã, oxalá, obaluaê e omulu.

Mas, voltando, o que a Umbanda tem de tão poderoso? Os arquétipos, através deles não só podemos utilizar as energias para nosso benefício, mas também como desenvolvimento pessoal, como poderes.

A vida sempre vai exigir alguma coisa de você, o tempo todo, várias vezes por dia, vários momentos e para cada uma deles você terá que dar uma resposta diferente.

Então quando a coisa complicar e você não souber muito bem o que fazer acesse dentro de você as energias, lembre-se dos arquétipos que você conhece bem e os utilize de fato como um poder. Você tem esse poder dentro de você, basta você ir na sua biblioteca pessoal e intuir qual utilizar.

Alguns desses arquétipos dentro de você serão bem desenvolvidos e quase nem será necessário nenhum treino, acessar isso pra você é natural, no entanto, alguns outros já vão precisar de um treino e desenvolvimento maior.

Para fazer isso você não precisa ser médium, você nem mesmo precisa ser umbandista, geralmente os atores tem isso porque aprenderam nas aulas de teatro a desenvolverem personagens, mas não é um personagem que você vai atuar, é realmente uma face do seu ser e da sua sabedoria ativada por essa energia.

Os arquétipos da Umbanda servem para muitas coisas, uma religião tão sábia quanto a Umbanda trouxe eles para diversos fins e um deles foi para nos mostrar que dentro de cada um de nós, mais evidente ou mais adormecido existem todas as energias de Deus e do Todo enraizadas.

Não importa de quem você é filho, não importa qual é seu orixá ancestral, o seu todo vem de diversas vidas, experiências, estudos, você não nasceu agora, você tem muita bagagem, muito mais do que imagina então basta você acessar você mesmo com treinos e se desenvolver como espirito humano poderoso que és.

Se eu pudesse modificar o mundo eu faria da seguinte forma, transformaria a vida do homem para ao invés de 8 horas diárias de trabalho para 4 horas de trabalho - que nada mais é do que uma doação de força para a construção e manutenção do plano material - e 4 horas de desenvolvimento pessoal.

Tenho a impressão que os humanos seriam extremamente poderosos e desenvolvidos nessa hipótese. Mas claro, isso é apenas a minha opinião.

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